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07
Ter, Jul

Blackboard, Brightspace, Canvas, Moodle: conheça os principais ambientes virtuais de aprendizagem das universidades

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Entre tantas novas percepções de mundo que a pandemia do novo coronavírus evidenciou, no campo da educação surgiu a necessidade de aliar cada vez mais a tecnologia ao ensino superior.

Entre tantas novas percepções de mundo que a pandemia do novo coronavírus evidenciou, no campo da educação surgiu a necessidade de aliar cada vez mais a tecnologia ao ensino superior.

Milhões de estudantes que fazem cursos presenciais foram afetados pelo fechamento das universidades e precisaram migrar para plataformas digitais para dar sequência ao semestre letivo durante a quarentena.

Professores também tiveram que se adaptar e elaborar as aulas virtualmente e pensar as melhores estratégias para ministrar os conteúdos das graduações dentro dos sistemas disponíveis, geralmente nos próprios portais do aluno, mas em algumas vezes em sistemas improvisados.

Antes mesmo desses portais do aluno e ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs) se tornarem salas de aula definitivas do período de isolamento social, essas plataformas já são velhas conhecidas dos universitários do Brasil, tanto para estudantes do ensino presencial como do ensino a distância (EaD).

Nos cursos presenciais, parte dos conteúdos das disciplinas conta com o apoio online no AVA. No entanto, nem sempre todos os recursos disponíveis são aproveitados, já que a modalidade tem como o foco os encontros em salas de aula ou laboratórios práticos.

Mas as plataformas oferecem tecnologias que podem colaborar de maneira facilitadora para os professores e construtiva para a formação dos alunos.

“É absolutamente essencial que se invista tempo e dinheiro para pensar como usar a plataforma e ter gente na instituição dedicado a pensar”, afirma Betina von Staa, coordenadora do Censo EAD.BR da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed).

“Às vezes o que você tem, tanto nas instituições brasileiras como no mundo todo, é uma subutilização de recursos, quando é possível ter investimento de tempo e dinheiro para a instituição fazer melhor. Porque fazer melhor certamente vai agradar mais o aluno, o aluno aprende mais, a instituição gera retenção, o aluno gera recomendação.”
Para os alunos do EaD, é por lá que a maior parte do curso vai acontecer e os recursos podem variar de acordo com as plataformas, com a instituição e as necessidades de cada graduação.

O que os AVAs oferecem?
A tecnologia vem como ferramenta de apoio à educação e cada vez mais, é possível usar recursos diversificados e atualizados para o ensino a distância. Segundo o Censo EAD.BR de 2018, realizado Abed, as universidades têm utilizado mais vezes novas possibilidades educacionais para diversificar os tipos de conteúdos das aulas.

Novos recursos como podcasts, jogos eletrônicos e simulações online se popularizaram no ensino a distância nos últimos anos. No entanto, a maioria do conteúdo continua sendo oferecido por vídeos (com teleaulas e outras formas audiovisuais) e texto (apostilas, e-books, artigos, documentos em PDF, etc.).

“Nos últimos cinco anos, aumentou muito a diversidade de tipos de conteúdo que são oferecidos aos alunos”, afirma Betina von Staa, coordenadora técnica responsável pelo Censo. “Mesmo assim, a maioria dos cursos superiores do Brasil ainda estão na linha de põe o conteúdo e faz a prova. Mas a gente já vê uma demanda de algumas instituições com formas mais sofisticadas de ensinar e aprender”, aponta.

Por isso, os portais devem acompanhar essa demanda, o que faz as instituições procurarem pelas principais plataformas do mercado.

Mas o que os ambientes virtuais de aprendizagem precisam oferecer aos alunos, professores e universidades? Para Betina, há alguns critérios mínimos do que as ferramentas devem contar.

“Essas plataformas entregam o conteúdo digital para o aluno fazer o curso dele. Ela tem que entregar com segurança, com recursos visuais agradáveis e, hoje em dia, mobilidade é um dos critérios mais importantes porque a maioria dos alunos usa o celular”, afirmou a coordenadora.
Percebendo como suas necessidades podem se encaixar nos recursos oferecidos, as faculdades trabalham para encontrar as melhores formas de oferecer o conteúdo dos cursos EaD ou o material de apoio online para os cursos presenciais.

Para o diretor do ensino a distância da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Marcos André Silveira Kutova, há quatro elementos fundamentais que precisam ser encontrados. “Transmissão de informação é a primeira coisa. A segunda, que é a que mais preocupa a grande maioria das pessoas são as atividades avaliativas. Eu preciso avaliar o aluno por meio desses ambientes”, afirma Marcos.

“O terceiro elemento, que é muito importante, é a interação dos professores com os alunos, a capacidade de conversa e orientação aos estudantes”, ele continua. Para finalizar, o diretor afirma que a quarta parte é a possibilidade de análise de dados para duas coisas: engajamento do aluno com o curso e análise de seu desempenho.

Benefício para alunos, professores e universidades
Para Marcos, cada um desses pontos é fundamental e deve ser considerado para a escolha das plataformas. De acordo com Betina, a participação da instituição também é essencial para o oferecimento dos conteúdos. “Com boas plataformas e usando bem as funcionalidades, você consegue valorizar muito mais a relação professor-aluno e aluno-aluno", ela afirma.

Coordenadora de EaD no Núcleo de Tecnologias Educacionais da Universidade de Fortaleza (Unifor), Andrea Chagas se diz defensora do EaD e afirma que a tecnologia é aliada dos professores, e não algo que vá substituí-los. “A gente vê que ainda existe uma resistência e uma preocupação dos professores. Eu trabalho com EaD há muito tempo e existe esse cuidado, de mostrar que a tecnologia e a modalidade vem para conversar com eles, não para substituir o que fazem”, ela aponta.

Já William Zanella, vice-presidente acadêmico da Faculdade Meridional (Imed), afirma que as plataformas vêm para que o ensino híbrido e a distância seja mais relevante para os alunos. “O ensino permite que as múltiplas formas de aprendizado sejam contempladas. Então acredito muito que vá avançar o nível de aprendizagem para os estudantes, não em um único formato, mas contemplando essas variações, desde que a instituição faça bem feito”.

Agora você vai conhecer as plataformas mais utilizadas no ensino superior brasileiro. Saiba como funciona o Blackboard, Brightspace, Canvas, Moodle e Atena IE.

Blackboard

A plataforma Blackboard é uma das referências do ensino superior brasileiro e mundial, seja ele EaD ou presencial. Os estudantes podem aproveitar os recursos para interagir com todo o conteúdo dos cursos realizados no AVA. Se o curso for a distância, todo o material estará disponibilizado e as aulas podem acontecer de forma interativa entre alunos, professores, tutores e colegas.

No Brasil, essa ferramenta é usada por diversas instituições importantes tanto no ensino presencial como a distância. Entre elas estão a Universidade Anhembi Morumbi, Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), Universidade Salvador (Unifacs), Universidade Feevale, Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), além de também ser usada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

O Blackboard facilita a interação entre os alunos e professores e o acesso ao conteúdo didático dos cursos. Para isso, possui diversas plataformas. Conheça algumas:

Como o Blackboard Learn funciona?
O Blackboard Learn é onde os estudantes encontram os conteúdos e as ferramentas digitais para acompanhar as disciplinas presenciais ou virtuais e se aprofundar no conteúdo visto no curso, seja em sala de aula ou no AVA.

Ele conta com o Menu do curso, que costuma estar localizado na barra lateral, que é onde o aluno vai acessar todas as áreas disponibilizadas, que variam de curso para curso. Essas ferramentas são flexíveis, e podem ser adaptadas pelos instrutores do curso de acordo com as necessidades, com novas cores, inclusão de ferramentas, subcabeçalhos ou outros links importantes.

Na Página inicial do Menu, o estudante encontra os detalhes mais importantes do curso, com as matérias que estão em andamento, a caixa de avisos, de tarefas e uma aba com “novidades” que traz novos conteúdos do curso ou informações da instituição. O estudante pode gerenciar essas configurações e personalizar como prefere receber notificações e avisos, por exemplo.

Em “Novidades”, o aluno vai acessar os conteúdos atualizados pelos professores dos cursos. Cada alteração no conteúdo disponibilizado vai aparecer neste módulo, que notifica os estudantes uma vez por dia se há, por exemplo, novos testes, pesquisas, exercícios, blogs, discussões e mensagens do curso.

A plataforma Learn ainda conta com o módulo “Para fazer”, que vai apresentar os prazos expirados ou a serem cumpridos das atividades que estão pendentes, ferramenta que auxilia o estudante a acompanhar o seu dia a dia do curso e o que ele precisa priorizar.

A interação com outros usuários pode ser feita de diversas maneiras pelo Blackboard Learn, como por e-mail, mensagens, discussões, reuniões e com plataformas externas, como o Google Meet.

Outras ferramentas da Blackboard
A interação entre professores e alunos também pode ser feita pelo Blackboard Collaborate, que é uma outra plataforma disponível pelo serviço que conta com ferramentas de colaboração entre os usuários e oferece espaço para webconferências.

Pelo Collaborate, as chamadas virtuais podem acontecer ao vivo e a interação dos presentes é feita de forma dinâmica, com opções de chat, respostas rápidas, comentários sobre a aula e até uma opção “Erguer a mão”, que indica que um aluno possui uma dúvida pendente.

Para acompanhar a exigência de personalização dos ambientes virtuais, a plataforma também conta com o Blackboard Open LMS, que disponibiliza que professores das universidades adaptem seus conteúdos de acordo com a necessidade das aulas e dos cursos.

Há também o Blackboard Ally, que usa a tecnologia para que o conteúdo digital das aulas seja disponibilizado de forma mais acessível, com formatos compatíveis com a plataforma, como PDF, HTML, áudio, entre outros.

Brightspace
O Brightspace é uma plataforma utilizada por faculdades brasileiras como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Universidade Tiradentes (Unit) e as Faculdades Integradas Espírito Santenses (Faesa).

Como o Brightspace funciona
Ao navegar pelo sistema Brightspace, o aluno conta com uma barra de ferramentas por onde vai acessar todo o conteúdo e as funcionalidades disponíveis no AVA: acesso aos cursos e módulos, caixa de mensagens instantâneas e de e-mail, notificações de novidades do curso, da faculdade e próximas atividades.

O estudante ainda pode acessar o seu perfil e acompanhar o seu progresso nas disciplinas ao longo do curso. Na barra de navegação, que pode ser diferente de acordo com o curso, o aluno encontra as páginas específicas da graduação, como links para o conteúdo, página de discussões da disciplina, grade, atividades e contato com tutores.

A página inicial do curso também varia de acordo com a instituição e a graduação oferecida. De forma geral, na "home", o estudante encontra informações importantes do curso, como anúncios, calendário acadêmico e conteúdos, tudo de forma intuitiva para facilitar o uso.

Canvas
O Canvas faz parte das principais plataformas de tecnologia na educação e é utilizado como AVA por diversas universidades do Brasil, entre elas está a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o Centro Universitário das Américas (FAM) e a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), que migrou em 2018 do Moodle para o Canvas.

“A interface do Canvas, que é o grande argumento que nos levou a ele, é mais fácil de ser usada”, afirmou o diretor de EaD da PUC Minas, Marcos André Silveira Kutova. A plataforma oferece diversos recursos que possibilitam a melhor interação entre professores e estudantes, deixando o contato mais pessoal entre eles mesmo em cursos a distância. Veja algumas ferramentas:

Conferências virtuais (aulas, interação entre colegas e grupos de estudo);
Anúncios, por onde os professores se comunicam sobre conteúdos com alunos;
Tarefas, onde as atividades, questionários e debates avaliados estão localizados;
Análises, onde os professores abordam o andamento do aprendizado;
Calendário;
Chat;
Página para trabalho colaborativo ou em grupo;
Banco de perguntas e questões;
Novos métodos de avaliação e acompanhamento do aluno;
Portfólio dos estudantes.
Com as ferramentas diferenciadas de avaliação e o portfólio, os professores podem dar uma nova dinâmica aos cursos. “O que temos entendido, principalmente na educação superior, é que a gente deve avaliar mais os alunos por aquilo que eles produzem do que por meio de questionários e provas”, conta Marcos.

“E aí o portfólio se torna uma peça fundamental para isso. Desde que os alunos demonstrem as habilidades mínimas, eu posso dar espaço para eles personalizarem a avaliação.”

Outro ponto destacado por Marcos é a facilidade para estudantes trabalharem em grupos online e para os professores passarem esse conteúdo "Todas as atividades podem ser feitas em grupo, e os professores conseguem lançar a nota e interagir com os grupos como uma unidade só, em vez de ter que interagir individualmente com cada aluno do grupo", completou.

Moodle
Com planos de retomar o oferecimento de cursos EaD, a Universidade de Fortaleza (Unifor) uma das principais instituições de ensino superior do Nordeste decidiu começar a padronizar a sua plataforma digital para os cursos presenciais e EaD. Por isso, os responsáveis optaram por usar o Moodle.

O Moodle é um sistema pioneiro no país e uma das principais plataformas de tecnologia para educação do mundo. Moodle é uma sigla em inglês para Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment, que em português é traduzido para “Ambiente de Aprendizado Dinâmico Modular Orientado ao Objeto.

Com ele, estudantes têm acesso a todo o conteúdo multimídia e material didático disponibilizado pelos professores no sistema. É a plataforma mais utilizada por universidades em todo o mundo, com instituições brasileiras como Universidade de São Paulo (USP), Mackenzie, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Metodista de São Paulo usando os serviços.

“A escolha pelo Moodle foi pelo custo benefício”, conta a coordenadora do Núcleo de Tecnologias Educacionais da Universidade de Fortaleza (Unifor), Andrea Chagas. O Moodle é um sistema a princípio gratuito. O custo dele se dá para utilizar um dos principais atrativos da ferramenta: a possibilidade de customização. Por ser uma plataforma de código aberto, está disponível para download e para uso personalizado de desenvolvedores, que podem adaptarem o sistema.

“A palavra-chave do Moodle é customizar. Ele é uma plataforma gratuita que tem muitas funcionalidades, mas para elas ficarem arrumadas, a instituição precisa ter uma equipe que trabalhe com a customização”, conta Betina von Staa, coordenadora do censo da Abed.

Andrea conta que isso também influenciou na escolha pelo Moodle.

"A gente preza muito por produzir, nós temos um corpo da área de tecnologia muito robusto também e preferimos instalar e ter o Moodle para a gente também. É um open source, então a gente conseguiria adaptar na medida que a gente fosse tendo equipe para mexer nisso."
Como o Moodle funciona?

O Moodle aproveita as suas funcionalidades para ser uma plataforma colaborativa que proporciona fácil interação e comunicação entre usuários. Compatível com as principais ferramentas online, ele vai dar espaço para que os usuários adaptem conteúdo e usabilidade de acordo com as necessidades do curso ou da faculdade.

Há empresas parceiras do Moodle que prestam serviços consultoria e customização dos portais, caso as instituições precisem desse apoio.

Para usar o Moodle, o estudante vai estar cadastrado na instituição em que está matriculado, com usuário e senha definidos automaticamente após o registro. Há também AVAs abertos para o uso de visitantes.

Ao acessar o portal do aluno, o estudante conta com todos os serviços de apoio online para a realização das disciplinas, seja presencial ou EaD. Videoaulas, documentos, atividades, fóruns, chats e diversas atividades são os recursos básicos que os alunos e professores contam no dia a dia, podendo variar de acordo com a personalização e customização da plataforma realizada por cada instituição.

Atena IE (Antigo WebAula)
O webAula se transformou em Atena IE, uma plataforma de de aprendizagem do grupo UOL EdTech. Compatível com as principais tecnologias de mercado, o sistema é moderno para que as instituições ofereçam o conteúdo das graduações para seus alunos.

Entre as universidades que utilizam o Atena, está a Faculdade Meridional (Imed), do Rio Grande do Sul, que iniciou o uso da plataforma para os cursos EaD em 2020. “A tomada de decisão ficou vinculada ao conteúdo e à interatividade da plataforma”, contou William Zanella, vice-presidente acadêmico da Imed, sobre a adesão ao Atena.

“A gente produz parte das aulas, com especialistas e professores, e o Atena produz parte do conteúdo. Essa plataforma é mais intuitiva, para o curso 100% online ela permite que o aluno consiga fazer o seu andar na própria ferramenta.”

Ela conta com a base do conteúdo essencial das plataformas para o bom funcionamento do curso, como fórum, chat, vídeo e atividades, mas com uma navegabilidade que diferencia das demais.

Também possui trilhas de aprendizagem, que traçam os caminhos dos estudantes de acordo com seu aprendizado.

“Os alunos que estão mais avançados podem pular algumas trilhas. Se ele tem questão de não entendimento, de não conseguir resolver questões, pode voltar para os conteúdos anteriores, mais básicos. Tem toda essa programação que permite esse uso mais moderno dos alunos, cada um ir no seu ritmo e de acordo com o conhecimento”, conta William.
A plataforma para celulares e tablets também é destaque e possibilita a boa navegação dos estudantes com os mesmos recursos do portal para computadores.

Plataformas próprias 

Há universidades no Brasil que também trabalham com suas plataformas desenvolvidas internamente, atendendo as demandas específicas da instituição, como é o caso do Centro Universitário de Maringá (Unicesumar), com o Studeo, e do Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi), que conta com o Gioconda.

“Ter a plataforma própria é uma sensação que o proprietário se orgulha muito, e normalmente é muito bom mesmo, porque ele já pensou em tudo e ela vai atender o modelo de EaD”, afirma Betina von Staa.

“No entanto, em geral, essas plataformas acabam perdendo na questão da evolução tecnológica. A tecnologia pode evoluir e em alguma hora a plataforma começar a não dialogar com outros aplicativos, como WhatsApp, Zoom, YouTube”, ela aponta.

Fonte: Revista QB