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Sáb, Dez

Jovens esperam da escola apoio para construir projeto de vida

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Pesquisa ‘Nossa Escola em (Re)Construção’ traz reflexões de mais de 258 mil estudantes de todo o país sobre o Novo Ensino Médio e a escola dos sonhos.

Pesquisa ‘Nossa Escola em (Re)Construção’ traz reflexões de mais de 258 mil estudantes de todo o país sobre o Novo Ensino Médio e a escola dos sonhos.
por Marina Lopes 

Prestes a concluir o nono ano do ensino fundamental na Escola Estadual Camilo Dias, em Boa Vista (RR), Maria Frederico Leite, 14, já decidiu que pretende seguir carreira em direito para ser advogada ou até mesmo juíza. No terceiro ano do ensino médio da Escola Estadual Nilo Póvoas, em Cuiabá (MT), Ezequiel de Souza Valadares, 18, optou por fazer um curso de arquitetura. Apesar de não se conhecerem, estudarem a mais de 3 mil km de distância e escolherem áreas de atuação diferentes, em um ponto eles concordam: a escola deve oferecer apoio para construírem e colocarem em prática o seu projeto de vida.

Participantes da terceira edição da pesquisa “Nossa Escola em (Re)Construção”, promovida pelo Porvir, em parceria com a Rede Conhecimento Social, eles fazem coro com outros adolescentes e jovens de diferentes regiões do país que expressaram seus sonhos e preocupações em relação à escola e ao Novo Ensino Médio. Mais do que apenas conteúdos, eles esperam encontrar na escola um espaço para descobrir suas vocações, sonhos e receber orientação para fazer escolhas de vida. Para essa tarefa, quatro a cada dez estudantes gostariam de ter um orientador vocacional na escola dos sonhos.

Preocupados com o futuro, os jovens também afirmam que a escolha por um itinerário formativo do Novo Ensino Médio deve estar alinhada à sua afinidade com a faculdade que desejam fazer (24%) e à preparação para o Enem e o vestibular (19%). “Quando estamos no ensino médio, buscamos aprender os conteúdos da nossa série, mas a nossa visão e o nosso foco está lá na frente”, avalia Victor Manoel da Silva, 17, aluno do terceiro ano da Escola Estadual Doutor Carlos Gomes de Barros, em União dos Palmares (AL), que também participou da terceira edição da pesquisa.

Principais sonhos e preocupações
Realizada a partir de dados coletados em 2019, por meio de uma plataforma de escuta online e gratuita, a pesquisa ouviu 258.680 estudantes de 11 a 21 anos de todo o Brasil. A mobilização para participar da consulta, este ano, contou com a parceria das redes estaduais de educação de Acre, Alagoas, Mato Grosso, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Tocantins e Distrito Federal.

Em sua terceira edição, a pesquisa incentivou adolescentes e jovens a refletirem sobre suas escolas atuais e também como eles gostariam que fossem os ambientes educacionais dos seus sonhos. Entre outros destaques, além de apresentar as percepções e demandas dos jovens sobre o Novo Ensino Médio, ela também traz aspectos relacionados ao desenvolvimento integral, à relação com os professores e outros profissionais, ao uso de tecnologia na escola e o envolvimento e o desejo por mais participação nas decisões.

“A nova edição da pesquisa trouxe mais elementos que mostram a preocupação do estudante e o seu pedido de ajuda para lidar com questões relacionadas ao futuro. Esses dados são importantes para escolas e redes desenvolverem estratégias para apoiarem os jovens nessa demanda”, diz Tatiana Klix, diretora do Porvir.

Com a proposta de envolver o público pesquisado em todo o processo de escuta, a pesquisa “Nossa Escola em (Re)Construção” foi criada em 2016 a partir da metodologia PerguntAção, desenvolvida pela Rede Conhecimento Social. “A metodologia trabalha todas as etapas da pesquisa de forma participativa, desde definir a pergunta guia, as hipóteses e o questionário, até a análise dos resultados”, explica Marisa Villi, cofundadora e diretora executiva da Rede Conhecimento Social.

Relações no ambiente escolar e qualidade de vida
Além de esperar que a escola dê conta de prepará-los para o seu projeto de vida, os jovens também querem ajuda para mediar relações no ambiente escolar. De acordo com a pesquisa, 33% dos respondentes avaliam de forma negativa a relação entre os alunos em suas escolas e 30% deles não falariam que em sua escola atual todas as pessoas são respeitadas, independente de cor, religião, orientação sexual, nacionalidade e cultura.

“Todo aluno de escola já sofreu bullying, alguns casos até piores do que os outros. Isso muitas vezes não acaba bem. Com a iniciativa de discutir emoções na escola, a gente poderia diminuir taxas de agressão e até mesmo de suicídio”, sugere a estudante Radiz Paula Queirós do Nascimento, 15, do primeiro ano do ensino médio da Escola Senador Adalberto Sena, em Rio Branco (AC), que participou da mobilização da rede estadual para responder ao questionário da pesquisa.

Apesar de 65% dos estudantes considerarem fundamental a escola desenvolver ações para trabalhar autoconhecimento, sentimentos e relações, apenas 27% deles afirmam que encontram essas atividades nas suas escolas. “A questão da depressão faz com que vários alunos saiam da escola e parem de estudar. Eu acho que é muito importante ter esse tipo de matéria na escola”, diz Maria Eduarda Sobral Santos, 17, aluna do terceiro ano da Escola Estadual Dom Constantino Lüers, em Campo Alegre (AL).

Para lidar com essas demandas, quando questionados sobre outros profissionais que gostariam de ter na escola dos sonhos, 64% jovens mencionam a possibilidade de contar com a presença de psicólogos no ambiente escolar. “Nós que estamos no ensino médio vemos pessoas a todo momento falando do Enem e de provas. Isso traz uma carga psicológica e mental muito forte para os alunos. Por conta dessa pressão, muitos acabam desenvolvendo depressão, ansiedade e diversos problemas psicológicos”, avalia João Victor De Oliveira Lima, 15, aluno do primeiro ano da Escola Professor José Rodrigues Leite, em Rio Branco (AC).

Valorização dos professores
As relações com os professores também foram avaliadas pelos estudantes na terceira edição da pesquisa. A maioria dos jovens demonstraram ter admiração e confiança por esses profissionais, já que seis a cada dez avaliam eles como bons e sete a cada dez dizem que podem conversar com os educadores sobre assuntos fora da matéria. “O professor exerce uma das profissões que eu considero ser das mais importantes. Ele vai nos ajudar a criar novas profissões. Nós respeitamos os professores e sabemos que é uma profissão muito importante”, afirma Ezequiel de Souza Valadares, 18, aluno do terceiro ano da Escola Estadual Nilo Póvoas, em Cuiabá (MT).

Apesar de reconhecerem a importância dos professores, quando são convidados a avaliar o relacionamento de seus colegas com os educadores, os estudantes são mais críticos. Seis a cada dez afirmam que eles ainda não são totalmente respeitados e valorizados pelos jovens dentro do ambiente escolar. “Nós temos professores ótimos e muito bem capacitados, porém eu acho que ainda falta respeito com eles”, opina Radiz Paula Queirós do Nascimento, 15, aluna da rede estadual de Rio Branco (AC).

Em relação às características mais valorizadas pelos jovens nos seus professores, 40% deles destacam que é importante saber explicar bem os conteúdos. “Quando o professor tem domínio do conteúdo, ele se sente mais confortável em passar esse conteúdo para o aluno”, diz João Victor De Oliveira Lima, 15, aluno do primeiro ano da Escola Professor José Rodrigues Leite, em Rio Branco (AC).

Uso de tecnologia
Os jovens e adolescentes que responderam ao questionário da pesquisa também foram críticos quanto ao uso de tecnologia na escola: sete a cada dez o consideram regular ou ruim. “O nosso contato com a tecnologia é só uma ida ao laboratório de informática. Eu acho que esse contato ainda é muito limitado e pode ir muito além”, afirma Victor Manoel da Silva, 17, da Escola Estadual Doutor Carlos Gomes de Barros, em União dos Palmares (AL).

Para 53% dos estudantes, a tecnologia não deve estar restrita apenas ao laboratório de informática. Para 15% dos jovens, o principal conteúdo que desejam ter na escola dos sonhos são conhecimentos ligados à tecnologia.“Hoje em dia a tecnologia move o mundo, e os alunos também o precisam disso para fazer pesquisas”, concorda Radiz Paula Queirós do Nascimento, 15, da Escola Senador Adalberto Sena.

Confira outros destaques e acesse os resultados completos da “Nossa Escola em (Re)Construção” em: porvir.org/nossaescolarelatorio/.

Fonte: Porvir