As tecnologias digitais como recursos para personalização no ensino híbrido
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Qua, Out

As tecnologias digitais como recursos para personalização no ensino híbrido

Ensino Híbrido
Notícias EAD
TIPOGRAFIA

Refletir sobre o potencial pedagógico das tecnologias digitais na educação tem sido uma ação recorrente em muitas instituições de ensino. Mais do que o uso para enriquecer as aulas, é importante ampliar o debate e refletir sobre como a personalização das ações de ensino e aprendizagem pode ser inserida nesse processo.

Refletir sobre o potencial pedagógico das tecnologias digitais na educação tem sido uma ação recorrente em muitas instituições de ensino. Mais do que o uso para enriquecer as aulas, é importante ampliar o debate e refletir sobre como a personalização das ações de ensino e aprendizagem pode ser inserida nesse processo.

Nesse contexto, os professores Ailton e Sunaga, educadores referência em Ensino Híbrido, compartilham alguns recursos que têm utilizado em suas aulas visando potencializar o aprendizado de seus alunos. Segundo os educadores, o primeiro passo para a personalização é planejar o roteiro a ser seguido. Como mentor, o professor deve ter claros os objetivos a serem atingidos por seus alunos, só assim será possível traçar os caminhos necessários para alcançá-los.

Uma ferramenta interessante que pode ser utilizada para elaborar este roteiro é o Coggle.it. Sua finalidade inicial é a construção de mapas mentais; porém, seu uso para a construção de Mapas do Conhecimento é bem prático. Uma dica, diz Ailton, é o professor começar elencando os objetivos mais simples que podem ser facilmente diagnosticados e avaliados; depois, pode-se avançar interligando outros caminhos durante o trabalho com aquele conteúdo.

Esse recurso é importante para que o professor tenha uma visão clara dos conteúdos e objetivos que serão construídos durante um período e, dessa forma, consiga desenhar experiências de aprendizagem que contemplem esses conteúdos e objetivos. Veja abaixo um exemplo de matemática:

Personalização Ensino Híbrido
Digamos que um professor deseje iniciar o estudo de frações com seus alunos, comenta Sunaga. Sua estratégia é a introdução desse assunto compreendendo quatro pontos principais: noções básicas de frações, números decimais, frações equivalentes e mínimo múltiplo comum.

PERSONALIZAÇÃO E ENGAJAMENTO COM A ROTAÇÃO POR ESTAÇÕES DE APRENDIZAGEM
Segundo Sunaga, o próximo passo é a escolha do modelo apropriado para atingir os objetivos propostos. Um dos modelos mais populares do Ensino Híbrido é o modelo de Rotação por Estações de Aprendizagem (veja o infográfico aqui). Considerado a porta de entrada para a abordagem híbrida em sala de aula, gradativamente o professor pode avançar para outros modelos mais disruptivos, assim que demostrar segurança na metodologia rotacional.

Nesse modelo, explica o educador, são criadas estações com atividades diferenciadas que dão enfoque a diversos tópicos de um tema principal. A turma de alunos é dividida em grupos que rotacionam entre as estações a intervalos regulares, seguindo os roteiros propostos em cada uma. A grande vantagem desse modelo é o engajamento, o compartilhamento de informações e a diversidade de estilos e experiências aprendizagem que são contemplados nele. Como cada estação é planejada para promover a autonomia, o professor consegue focar sua ação e dedicar-se aos alunos com maiores dificuldades, por exemplo.

Para facilitar o oferecimento do conteúdo e a avaliação, Sunaga sugere que o professor utilize o aplicativo Socrative. Por meio desse recurso, também gratuito, é possível criar roteiros de aula e exercícios na forma de jogos que engajam os alunos. O professor acompanha em tempo real o desempenho de cada aluno e pode diagnosticar facilmente as habilidades e dificuldades de cada um. O Google oferece também em seu Drive, os Formulários Google, que também possibilitam a criação de roteiros de estudo com textos, vídeos e testes ajustados para autocorreção. O desempenho individual e da turma são apresentados através de gráficos ou planilhas.

Caso o modelo escolhido seja a sala de aula invertida ou o laboratório rotacional, afirma Ailton, é possível explorar conteúdos em vídeos: como videoaulas, documentários ou animações.

O aplicativo Playposit permite que o professor apresente perguntas, explicações, imagens e esquemas em diversos momentos do vídeo, aumentando assim o engajamento dos alunos e melhorando a percepção do professor sobre o sucesso em atingir os objetivos pedagógicos. Essa percepção é essencial para o professor, segundo os educadores, pois oferece parâmetros para o desenvolvimento das atividades posteriores que acontecem presencialmente na sala de aula.

ROTAÇÃO INDIVIDUAL E O PAPEL DA TECNOLOGIA NA PERSONALIZAÇÃO
Um outro modelo bem interessante é o chamado Rotação Individual. Aqui, os alunos alternam, individualmente, diferentes modalidades de aprendizagem. A personalização começa em um momento anterior, quando é realizada uma prova diagnóstica para sondar os conhecimentos prévios da turma e localizar eventuais lacunas. Na próxima etapa, professor e aluno organizam, juntos, um roteiro personalizado que indica as ações necessárias para que o aluno domine os tópicos em que apresenta dificuldades ou avance naqueles que já domina. Ao terminar essas atividades, é feita uma nova avaliação para identificar os avanços. Trata-se de uma avaliação formativa, que funciona como um recurso para a aprendizagem, e não como mera verificação de domínio de um conteúdo.

Ailton e Sunaga são categóricos ao afirmar que somente com o advento da tecnologia tornou-se possível acompanhar o desempenho de alunos em tempo real e, assim, explorar mais a fundo a personalização da aprendizagem. Os diversos recursos podem ser disponibilizados quando necessários, avaliações e exercícios podem ser corrigidos automaticamente e as informações podem ser acessadas a qualquer momento. Ao oferecer conteúdos e atividades diferenciadas no formato online, nas quais o aluno tem controle sobre o tempo, ritmo, modo e lugar, o professor pode personalizar a aprendizagem de seus alunos, expandir seu poder de ação e, acima de tudo, ganhar tempo e focar sua energia no que realmente importa.

Vale lembrar que a demanda de sala de aula, identificada e debatida pelo corpo docente em acordo com a comunidade escolar, é um pressuposto para qualquer solução pedagógica envolvendo a tecnologia e não o contrário. Dessa forma, concluem os educadores, prioriza-se a aprendizagem dos alunos tendo como ponto de partida as características da própria escola e dos profissionais da educação que nela lecionam.

Fonte: Geekie
Publicado em: 14/03/2017