Faculdades de medicina testam salas de educação virtual
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Ter, Jun

Faculdades de medicina testam salas de educação virtual

Faculdades de medicina testam salas de educação virtual
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TIPOGRAFIA

Projeto inovador de telepresença ‘coloca’ professores e alunos em centros científicos na Europa e nos EUA.

Projeto inovador de telepresença ‘coloca’ professores e alunos em centros científicos na Europa e nos EUA.

Aprender à distância como se lá estivesse. De forma muito simplista, é isto que faz um projeto pioneiro em Portugal com salas de educação virtual que está a ser testado pelas faculdades de medicina de Lisboa, Porto, Coimbra e Açores. Com recurso a um sofisticado sistema de telepresença, professores, alunos, investigadores ou profissionais de saúde são 'transportados' para as salas de outras universidades ou para centros científicos na Europa e nos EUA.

O projeto celebra esta terça-feira um ano de existência, juntando as quatro instituições portuguesas num encontro para partilhar experiências. "As salas dispõem de um inovador sistema de telepresença que possibilita uma experiência intuitiva e realista, dando aos utilizadores a sensação de estarem na mesma sala, apesar da distância real que os separa", explicam os promotores do projeto, o laboratório Janssen Portugal.

A presença virtual é proporcionada por "três ecrãs de alta-definição FullHD de 70 polegadas, que combinam alta-fidelidade de áudio e vídeo e asseguram a mais complexa experiência de colaboração imersiva possível". Os técnicos explicam que o "sistema é compatível com equipamentos móveis ou fixos e utiliza protocolos de encriptação segura que garantem a privacidade das sessões de videoconferência".

UM MILHÃO DE EUROS PARA CINCO ANOS
Orçado em um milhão de euros para cinco anos, o projeto inclui um programa de educação médica e científica com sessões mensais para ligar as universidades portuguesas a outras academias, centros de investigação ou investigadores nacionais ou no estrangeiro permitindo uma atualização próxima e constante da formação médica.

Na Faculdade de Medicina do Porto, as salas de educação virtual reforçaram os contactos com várias escolas de medicina no Brasil. Por exemplo, uma professora portuguesa passou a lecionar aulas de doutoramento em bioética a alunos em Brasília.

Noutros casos, como nos Açores ou em Coimbra algumas aulas passaram a ser ministradas no novo espaço. Raquel Seiça, professora catedrática da Universidade de Coimbra, viajava frequentemente para os Açores para dar formação teórica, que agora garante sem sair do seu local de trabalho. "Tínhamos de condensar numa semana 20 horas de matéria teórica e estas aulas são agora distribuídas ao longo do semestre, ou seja, conseguimos ter um plano pedagógico mais concertado", explica. E "além das mais-valias em termos formativos, tivemos a oportunidade de eliminar custos associados a viagens, estadias e alimentação".

A crescente exigência imposta ao conhecimento médico implica uma partilha igualmente maior do conhecimento e das experiências e o recurso a ferramentas virtuais – incluindo até para substituir doentes reais no treino de cirurgiões, por exemplo – é 'um atalho' para chegar mais depressa, sem perder rigor e com a vantagem de poupar nos custos. Ainda assim, a Academia tem sempre presente a importância da prática, do contacto com o doente ou da relação médico-doente e outros aspetos da formação e do exercício médico que a tecnologia não pode substituir.

Fonte: Expresso Sapo
Publicado em: 09/06/2017