Concurso EAD – A EAD nos estudos de pessoas com deficiência
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Seg, Dez

Concurso EAD – A EAD nos estudos de pessoas com deficiência

A EAD nos estudos de pessoas com deficiência
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Muitas pessoas buscam na Educação a Distância (EAD) uma oportunidade de conquistar tempo e melhorar seu rendimento em exames para concursos públicos ou vestibulares. Com isso, estudar em casa tem se tornado cada vez mais comum e para pessoas com deficiência, que normalmente enfrentam dificuldades de locomoção devido à falta de infraestrutura nas cidades, a modalidade é forte aliada na preparação dos estudos.

Muitas pessoas buscam na Educação a Distância (EAD) uma oportunidade de conquistar tempo e melhorar seu rendimento em exames para concursos públicos ou vestibulares. Com isso, estudar em casa tem se tornado cada vez mais comum e para pessoas com deficiência, que normalmente enfrentam dificuldades de locomoção devido à falta de infraestrutura nas cidades, a modalidade é forte aliada na preparação dos estudos.

Realmente, é inegável o potencial da Educação a Distância, modelo que segue em franca expansão. Os preços geralmente são mais acessíveis, os horários flexíveis e o crescimento do mercado de smartphones nos últimos anos faz da EAD uma opção para quem quer investir em educação.

Além disso, os dados mais recentes apontam para uma elevação da modalidade no país. No geral, são mais de 3,8 milhões de alunos inscritos em cursos on-line, segundo dados do IBGE divulgados no ano passado. Este número era três vezes menor em 2013.

Parece animador, não? Mas mesmo com bons número e constante crescimento, nem tudo são flores. Deficientes visuais e auditivos ainda enfrentam bastante dificuldade sem materiais específicos. Já os deficientes físicos encontram cursos virtuais para complementar os estudos, mas geralmente não otimizados para eles. Confira, a seguir, um panorama da Educação a Distância para pessoas com deficiência.

EAD para deficientes visuais e auditivos
A educação para cegos, hoje se faz principalmente com o uso de softwares educacionais com base em saídas de áudio. É verdade que muitos livros hoje em dia são feitos em braile, mas a oferta ainda é bastante limitada, especialmente para temas específicos, como os concursos públicos. Já as pessoas com deficiência auditiva basicamente estudam com vídeos na internet que possuam a linguagem dos sinais.

Conversamos com Eline Cavalcanti, CEO da Elfus, consultoria em gestão organizacional especialista em negócios educacionais e e-Learning, sobre os desafios da implantação de um programa de EAD. A especialista surpreende e aponta que, por incrível que pareça, boa parte dos problemas reside no conteúdo, já que a atividade principal de uma instituição de ensino é a sua excelência acadêmica, como professores titulados e processo de avaliação coeso e robusto. “A grande chave deste processo está na capacidade de identificar uma equipe docente qualificada em termos de produção de conteúdo, estética, e conhecimento de recursos de tecnologia virtual”, explica.

O avanço da Educação a Distância para deficientes, especialmente visuais e auditivos, esbarra na aplicação do conteúdo. Na prática, a exigência da experiência em sala de aula cai por terra, segundo a executiva. “Um bom professor de sala de aula presencial não é sinônimo de um bom conteudista ou tutor. Isso pode ser muito injusto ao primeiro olhar, mas o fato é que essas são atividades parecidas, mas com competências e habilidades diferentes”, reforça Eline.

Elaborar um programa de EAD com base em cursos presenciais também não é o caminho mais indicado. O ideal é que todo o cronograma seja construído sobre bases próprias e exclusivas. “Exemplo disso é a capacidade, amplamente discutida, de como as pessoas se relacionam de uma maneira diferente nas redes sociais e na ‘vida real’”, aponta a especialista.

Bom exemplo
Com objetivo de facilitar o acesso ao conteúdo programático desenvolvido nas escolas de ensino regular, o Centro de Apoio para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP), ligado à Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo (Sedu/ES), aceita solicitações gratuitas de livros e materiais didáticos em braile ou em formato Daisy (áudio) para pessoas com deficiência visual.

Qualquer pessoa com algum tipo de deficiência visual pode realizar o pedido. Se for estudante da rede estadual, basta informar o professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE) ou pedagogos da unidade escolar, que farão o encaminhamento dos materiais necessários. Se não for estudante, é só encaminhar o material para o e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.. Assim que produzido, o material será entregue pelos Correios.

EAD para deficientes físicos
O analista de sistemas Guilherme de Araújo, de 57 anos, é aluno do curso de nível superior em administração e destaca as vantagens de estudar a distância. “A possibilidade de ajustar os horários de estudo à minha disponibilidade de tempo está entre as maiores vantagens. Também não preciso me deslocar de casa para a escola, o que representa uma economia de tempo e dinheiro que, no meu caso, praticamente inviabilizaria participar do curso”, comenta Araújo, que é tetraplégico desde 1993, vítima de acidente de automóvel.

Para que os estudos sejam realmente produtivos, o analista ressalta que é preciso muita força de vontade. “Os cursos na modalidade EAD são inviáveis para quem não tem autodisciplina para realizar tarefas sozinho. É necessário estudar de três a quatro horas diariamente”, completa.

Também tetraplégico decorrente de um acidente no trânsito, o carioca Ricardo Souza, 34, viu na modalidade EAD uma oportunidade para realizar seu sonho: formar-se em ciências biológicas. Ele conta que os benefícios da educação a distância são vários. “Otimização do tempo, flexibilidade e autonomia nos estudos. Muito importante para quem, por motivos de distância, trabalho ou outra dificuldade, não tem condições de frequentar diariamente uma universidade”, diz.

Custo x Benefício
Além de novos métodos de estudos, tanto Ricardo quanto Guilherme valorizam o custo-benefício da modalidade. “Sem a menor dúvida, vale a pena. Hoje em dia, o custo elevado e principalmente o tempo gasto para se deslocar entre casa, trabalho e escola, inviabiliza a participação de muitas pessoas em treinamentos. Assim fica bem mais fácil e barato”, destaca Guilherme. Já o biólogo prevê longevidade para a EAD. “O ensino semi-presencial e a distância é uma ferramenta do mundo moderno digital, essencial para a ampliação das oportunidades de inserção no mundo acadêmico e profissional e veio para ficar”, afirma.

A ausência de interação com outros alunos não é sentida pelos entrevistados. “Meus professores e também os colegas estão sempre presentes através dos chats, fóruns e e-mails. Não sinto falta”, revela o mineiro. “A falta de contato presencial é diminuída pela interatividade do mundo virtual, por isso a participação e frequência nos fóruns e atividades em grupo são essenciais”, completa Ricardo.

Para obter sucesso na EAD é necessário manter um ritmo de estudos com bastante determinação, alerta o analista de sistemas. “Mantenho uma rotina diária e sigo o calendário escolar. Quando tenho algum atraso compenso no fim de semana de maneira a não acumular matéria”, explica. Ricardo dá dicas aos leitores ressaltando que a disciplina é fundamental. “A programação deve ser rigorosa no sentido de estudar pelo menos duas horas todos os dias. Do contrário, o acúmulo de matéria e tarefas se torna um problema”, encerra.

Fonte: JC Concursos
Publicado em: 11/06/2017