Universidades apostam em ensino à distância
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Sex, Out

Universidades apostam em ensino à distância

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RIO - A modalidade de ensino à distância (EAD) desponta como locomotiva para puxar a expansão da oferta de vagas e do número de alunos matriculados no ensino superior no Brasil. O Ministério da Educação regulamentou a modalidade em maio do ano passado, facilitando a abertura de novos polos de EAD, num esforço para cumprir metas do Plano Nacional de Educação.

RIO - A modalidade de ensino à distância (EAD) desponta como locomotiva para puxar a expansão da oferta de vagas e do número de alunos matriculados no ensino superior no Brasil. O Ministério da Educação regulamentou a modalidade em maio do ano passado, facilitando a abertura de novos polos de EAD, num esforço para cumprir metas do Plano Nacional de Educação.

Para as instituições de ensino privadas, o segmento cresce a taxas superiores às registradas pelo ensino presencial — em matrículas e tíquete médio — enquanto consome menos investimento.

O número de matrículas de alunos no ensino superior chegou a 4,24 milhões em 2015, dado mais recente, sendo 1,39 milhão em cursos de graduação à distância, ou 32,8%, segundo dados Inep. Deste segundo grupo, 1,27 milhão estão em cursos de EAD de instituições privadas, diz a consultoria Hoper Educação.

O grupo Estácio, por exemplo, planeja abrir 131 novos polos somente no segundo semestre. A aposta de peso da Estácio no EAD vem na sequência da reprovação da compra da universidade carioca pela Kroton Educacional, no fim de junho, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Desde que os grupos anunciaram a fusão, em agosto de 2016, especialistas apontavam a forte sobreposição que haveria em ensino à distância. A venda da operação de EAD da Estácio chegou a ser cogitada, caso o negócio fosse adiante. Não foi.

— O ensino à distância é o grande vetor de crescimento. No segundo trimestre, tivemos uma expansão de quase 1% no número total de alunos porque a base do EAD cresceu em 10%, enquanto nos cursos presenciais, encolheu. Com a nova regulamentação, a expansão fica mais ágil. Em um mês, já temos 131 novos polos cadastrados para serem abertos neste segundo semestre — explica Pedro Thompson, presidente da Estácio.

CURSOS TÊM MAIOR EVASÃO
Os polos são as bases com estrutura de apoio para os cursos à distância, com espaços como biblioteca e laboratórios. Com o decreto publicado em maio, os novos polos passam a ser criados diretamente pelas instituições, seguindo limites de quantidade de acordo com o indicadores de qualidade definidos pelo MEC. Existe também a opção de que esses polos sejam abertos com um parceiro, uma escola ou uma empresa, por exemplo. E instituições que não mantêm cursos presenciais poderão se cadastrar para oferecer EAD.

De acordo com o Censo da Educação Superior de 2015, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), são 1.473 cursos superiores à distância no país, com um crescimento de 10% ao ano, desde 2010. Atualmente, são mais de 1,3 milhão de estudantes matriculados na modalidade, com expansão de 50% entre 2010 e 2015.

O grupo Estácio encerrou o trimestre passado com 343,3 mil alunos em cursos presenciais e 115,9 mil nos oferecidos à distância.

— Cada novo polo da Estácio atrai em média 300 alunos na primeira captação. O EAD é hoje “disruptivo” para o contexto da educação. Com investimento reduzido — diz Thompson.

Paulo Presse, coordenador de Estudos de Mercado da consultoria Hoper Educação, destaca que os centros de ensino mais maduros saem na frente nessa corrida:

— A regulamentação libera a abertura de novos polos por centros de ensino, que passam a poder ampliar a oferta de vagas de acordo com o que é mais eficiente para eles. A categoria que já conta com um número de novos polos autorizados de acordo com o conceito institucional tem mais agilidade.

A medida do MEC também impulsionou os planos de crescimento da paranaense Unicesumar, que em 2016 já tinha 80% de seus 81,5 mil alunos no EAD. Com 150 polos em mais de 20 estados, trabalha para dobrar esse número até o fim do ano, investindo R$ 40 milhões.

“Antes da portaria, chegava a demorar quatro anos para abrir um polo e, agora, em cinco meses serão abertos 150. (A medida) Beneficiou aqueles que, como nós, já estavam preparados e possuíam estrutura adequada para um plano tão audacioso”, explicou, por e-mail, William de Matos Silva, pró-reitor de EAD da Unicesumar. A meta é chegar a 90 mil alunos este ano e cem mil em 2018, com 500 polos.

Há turbulências no caminho de expansão do EAD. Um dos percalços é a alta taxa de evasão dos cursos. Nos centros de ensino superior privados, considerando o número de matrículas ativas por ano, bate 27,2% na modalidade à distância, contra 19,3% no presencial.

— É um aluno mais propenso a deixar o curso. Nesse sentido, as instituições de ensino mais maduras têm melhores condições de reduzir a evasão — diz Presse.

DISCUSSÃO SOBRE QUALIDADE
Reitora do EAD Laureate, que reúne cursos à distância de 12 diferentes centros de ensino, como Anhembi Morumbi e FMU, Josiane Tonelotto sublinha que os cursos à distância apresentam crescimento mais robusto em novas matrículas, frente aos presenciais. Reconhece, porém, que a taxa de evasão também é mais alta.

— Há estudantes que desistem porque não conseguem utilizar a plataforma de estudos, outros temem ficar isolados de outros alunos no processo de aprendizado. Sem esquecer que há estudantes que têm a falsa ideia de que um curso à distância é mais rápido e mais fácil que o presencial, mas isso não é verdade. Exige dedicação e comprometimento. Tentamos mitigar esses fatores — diz Josiane.

A qualidade do ensino e dos profissionais formados em cursos de graduação e pós-graduação à distância é outro ponto-chave na discussão sobre a expansão do EAD. O diploma profissional não indica se o aluno fez curso presencial ou à distância.

— O Censo da Educação de 2015 já permite comparar o desempenho de cursos presenciais e à distância pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). Encontramos uma relativa melhora de desempenho para EAD, principalmente na faixa de Conceito Enade 4 (numa escala de 1 a 5), em que o EAD supera o presencial — aponta Paulo Presse. — No futuro, será mais uma questão de regulamentação, de cursos que combinam presencial e EAD. As instituições de ensino superior podem fazer 20% do curso presencial à distância. Isso ajuda na melhor gestão dos recursos.

Fonte: Extra