100% EAD, não!
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Dom, Set

100% EAD, não!

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Inúmeras são as ofertas de cursos na modalidade EAD (Ensino à Distância) para a área da saúde. Eu, particularmente, fico muito apreensiva quando observo essa tendência porque sou da época que o ensino era totalmente presencial, em período integral e a dedicação era extrema.

Inúmeras são as ofertas de cursos na modalidade EAD (Ensino à Distância) para a área da saúde. Eu, particularmente, fico muito apreensiva quando observo essa tendência porque sou da época que o ensino era totalmente presencial, em período integral e a dedicação era extrema.

Os discentes tinham a universidade como seu segundo lar, e ao longo dos cincos anos de curso dedicavam-se de forma irrestrita.

Hoje a grade curricular foi enxugada para ser acomodada em apenas quatro anos de formação, no caso da odontologia. Sinceramente, acho muito pouco tempo. A excelência requer prática exaustiva, que por sua vez exige tempo.

Formam-se então profissionais que demandam cursos de especialização e aperfeiçoamentos urgentes, sendo que poderiam adquirir este conhecimento ainda no seio da universidade.

Pois bem, deixo claro que não sou contra os cursos feito após o período de formação profissional, ao contrário, defendo a ideia do estudo constante. Também não sou contra o ensino EAD, e acredito realmente que ferramentas da atualidade podem contribuir para o processo ensino-aprendizado de forma eficaz.

O que sou contra é o ensino 100% EAD, que pasmem, já há um movimento por parte de empresários para que isso torne-se realidade.

Será que com ensino 100% EAD desenvolveremos adequadamente os nossos sentidos? O profissional da saúde necessita de visão, toque, olfato, audição para que possa ter excelência no que considero ser a parte ais importante do tratamento: o diagnóstico.

Como diagnosticar corretamente se não se aprende a olhar o paciente como um todo? Isso a modalidade EAD não traz.

No ensino EAD professores e alunos estão separados fisicamente, sendo necessário utilizar de tecnologia para a transmissão e recepção de conhecimento, e aí me lembro das inúmeras vezes que necessitei das mãos dos meus mestres que literalmente me guiaram, como um professor ensina uma criança a escrever.

No EAD não há necessidade de horários, datas, e nem lugar pré-estabelecido para o ensino, porém a rotina de acordar cedo, me deslocar até a universidade, cumprir horários, me fez respeitar o meu paciente e saber que tenho responsabilidade quando agendo uma consulta, por exemplo.

O ensino à distância como estratégia educativa é fantástico. Quisera eu ter a oportunidade de mesclar as duas modalidades na minha formação acadêmica. O MEC (Ministério da Educação) exige que além das aulas online sejam realizados encontros presenciais para fins de aulas em laboratório, apresentação de trabalhos e aplicação de provas.

Justíssimo. Penso que seja nesses encontros que o aluno capte energia para dedicar-se ao estudo, que exige disciplina e organização.

E aí o que o caro leitor pensa é: essa resistência ao ensino à distância é justamente porque é algo novo, referindo-se a esta que vos escreve, e que diga-se de passagem colou grau há mais de duas décadas.

Então, eu afirmo: que venha o novo, que tenhamos a ajuda da tecnologia, mas que não deixemos de lado o que realmente importa para um profissional da saúde, que é a sensibilidade no trato com o paciente e o respeito aos ensinamentos dos seus grandes mestres, e estes só são possíveis “olho no olho”.

Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, mestre em Saúde Coletiva, diretora do Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog (RD News) todo domingo.

Fonte: RD News