Matrículas na educação a distância crescem 600%
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Sab, Dez

Matrículas na educação a distância crescem 600%

Educação a distância crescem 600%
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Cursos à distância matricularam 1,5 milhão de alunos em 2016

Cursos à distância matricularam 1,5 milhão de alunos em 2016

Quando decidiu ir em busca do diploma, em 2008, o administrador Renato Mendes, 31 anos, sabia que estava fazendo a escolha certa. A flexibilidade dos horários do curso a distância que ele escolheu fazer lhe dava a possibilidade de trabalhar durante o dia como auxiliar administrativo e, à noite, da própria casa, tocar os estudos. Foi, inclusive, do próprio bolso que veio o dinheiro para quitar os boletos dos quatro anos de formação - motivo de muito orgulho para ele.

A opção de Renato pelo ensino a distância tem sido a de muitos outros brasileiros. Em 10 anos, o percentual de participação da educação a distância (EaD) no total de matrículas da educação superior aumentou, de acordo com uma pesquisa divulgada na semana passada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Segundo esse relatório, a participação da educação a distância em 2006 era de 4,2% do total de matrículas em cursos de graduação, aumentando, em 2016, para 18,6%, o que representa 1,5 milhão de estudantes cursando uma graduação a distância no ano passado. Em 2006, esse número era de apenas 207.206 alunos (aumento de 620%).

O total de estudantes no ensino superior em 2016, em instituições públicas e privadas, era de 8 milhões.

A mesma pesquisa revela que o número de matrículas em cursos de graduação presenciais diminuiu 1,2% entre 2015 e 2016. Na modalidade a distância, o aumento nesse mesmo período foi de 7,2%.

Exigências
Engana-se, no entanto, quem acha que esse tipo de formação é mais fácil e rápida do que a presencial. A formação do administrador Renato, por exemplo, exigiu dele uma maratona de estudos e uma carga horária igual ao ensino convencional. A diferença é que o professor sempre estava do outro lado da tela, e as aulas realizadas por meio de videoconferências aconteciam, geralmente, uma vez por semana.

Durante todos os outros dias, ele tinha acesso a apostilas, livros e atividades que ficavam disponíveis no portal da instituição de ensino. Cabia a ele se esforçar para dar conta do conteúdo, afinal, as dúvidas das aulas só podiam ser tiradas por um tutor, que atendia os alunos no polo presencial da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), que, atualmente, não conta com essa modalidade de ensino.

Quando não conseguia acompanhar as videoconferências, ele tinha a oportunidade de assistir às aulas em um outro horário, já que todo o conteúdo era gravado e disponibilizado na plataforma digital de ensino. A interação com os outros colegas acontecia por meio de fóruns de discussões. Lá, ele também tinha a oportunidade de compartilhar as dúvidas.

“O ensino a distância exige mais de você. O aluno não fica preso somente àquilo que o professor diz e, na falta dele, você passa a correr atrás, para entender o conteúdo”, explica o administrador, que recebeu o diploma depois de quatro anos e, hoje, trabalha na sua área de formação.

Fica a critério de cada instituição de ensino elaborar o calendário acadêmico. Por exemplo: as videoconferências podem acontecer uma única vez na semana em uma instituição e, em outras, esses encontros podem acontecer duas ou três vezes na semana.

A única exigência do MEC é que as aulas também possam ser presenciais. O mesmo acontece com as provas, que podem ser feitas online, onde o aluno responde às questões de múltipla escolha, mas é obrigatório que um teste seja aplicado no polo físico da faculdade durante o semestre.

O MEC também exige que, ao longo do curso, o aluno tenha a oportunidade de ter experiências em estágios supervisionados, práticas em laboratórios e trabalhos de conclusão de curso, assim como nas graduações convencionais - isso deve ser feito nos polos físicos das instituições - daí vem a necessidade dos encontros presenciais.

Ingresso
Para começar um curso na modalidade EaD, o estudante precisa realizar o vestibular presencial da instituição em que ele pretende ingressar. O aluno deve ficar atento ao calendário da faculdade, porque algumas instituições aplicam as provas em horários agendados.

As notas do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também podem ser aceitas e, nesse caso, não é preciso realizar a prova, basta apenas apresentar o resultado do Enem, com seus desempenhos mínimos e máximos de cada competência. Mas fique atento: algumas instituições não aceitam candidatos que tenham zerado a redação.

O aluno também pode tentar uma bolsa pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni) ou optar pelo financiamento do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). As vagas para esses programas são abertas semestralmente.

Fonte: Correio (BA)