Escolas usam tecnologia e eletivas para manter jovens interessados
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Escolas usam tecnologia e eletivas para manter jovens interessados

Escolas usam tecnologia e eletivas para manter jovens
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Ensino médio tem a pior nota da educação no Brasil. JN mostra exemplos de escolas públicas que apostam no diferencial para atrair alunos.

Ensino médio tem a pior nota da educação no Brasil. JN mostra exemplos de escolas públicas que apostam no diferencial para atrair alunos.

Desempenho dos alunos do 6º ao 9º ano da rede pública é abaixo da meta

Série do JN mostra retrato da educação básica na rede pública

É a pior nota da educação no Brasil: 3,5 de acordo com o Ideb, Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico. Número abaixo da meta (4,0) e visto como consequência da queda vertiginosa do aprendizado no Fundamental II. A situação é crítica em matemática.

“Nós não podemos mais esperar nem nos conformar como brasileiros que 90% dos jovens no Brasil concluem o ensino médio sem saber matemática”, destaca

César Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação.

Difícil achar exceções, mas é possível.
“Quando você traz o mundo para dentro da escola e vice-versa, o sujeito se reconhece. Mesmo matemática sofisticada, modelos, álgebra, etc, podem encontrar contrapartidas no mundo”, afirma Luis Carlos de Menezes, professor de física – USP.

Numa escola pública de Santo André, no ABC Paulista, a agitação é grande. Ninguém quer perder a aula no estilo Harry Potter. Mas, afinal, que aula é essa? Cinema, literatura? Não, é matemática!

“Você tinha uma venda do livro antes e a partir do momento que fala: esse livro vai virar filme, você tem uma venda muito maior, vira uma função exponencial”, explica Alessandra Vechier, professora de matemática.

“Fica porque lá tem o exemplo de um filme, que é uma coisa que assim desperta o interesse. E aí quando ela aplica aqui é mais fácil”, conta Julia Magalhaes, 14 anos.

A escola está acima da média do Enem em matemática. Na área de linguagens também. Para completar o ensino tradicional, os alunos podem escolher entre várias aulas eletivas, como a de games. “Como matemática está envolvida nos games, isso me deixou mais aguçado para entrar nessa eletiva”, Alisson Soares, 16 anos.

Hora do almoço, comida na mesa. A escola é de tempo integral. Para ninguém desanimar, tem sessão de selfies com os heróis professores.

“O professor ele é o principal fator para a melhoria da qualidade da educação. A gente não entende o papel estratégico que o professor tem na vida de cada um de nós e para a vida e para o futuro do país”, afirma Priscila Cruz, presidente executiva do Todos pela Educação.

De Santo André, no ABC Paulista, o Jornal Nacional vai até Manaus, onde a tecnologia tem sido uma grande aliada do aprendizado. A repórter Daniela Branches mostra como funciona esse sistema de ensino que está encurtando as distâncias no Amazonas.

O Centro de Mídias de Educação do Amazonas é praticamente uma escola. Tem sala de professores, com 55 docentes, sete estúdios, as maiores salas de aula do Brasil. Mais de 80% dos estudantes são do ensino médio.

As aulas do Centro de Mídia, criado há dez anos, são destinadas também aos alunos do Fundamental II e adultos. Ao todo são mais de 40 mil alunos. Assim, o

Amazonas leva cada vez mais educação a todos os seus 62 municípios. Aos poucos, vai vencendo as dificuldades. Começou com nota bem baixa no Ideb, mas tem avançado em direção aos estados mais bem avaliados.

Em uma comunidade ribeirinha em Manacapuru, os jovens saem de casa em busca do conhecimento. Depois que a embarcação chega à escola, para ter acesso à unidade, os alunos ainda precisam subir um barranco.

A cada orientação que chega pela TV, aumenta a vontade de aprender. "Eu quero fazer uma faculdade, um curso. Se eu não prestar atenção, chega uma prova lá aí vai ficar difícil para mim passar”, diz Cassandra Ferreira, 17 anos.

No local, os alunos tiram dúvidas ao vivo. O conteúdo também passa pelo mediador, que ajuda na escola. "A tecnologia avançada ajudou a gente bastante”, conta Tamara Castro, 17 anos.

Nesse mundo do ensino médio até mesmo o lazer é organizado para estimular as habilidades dos alunos. Em Santo André, por exemplo, tem um dia da semana em que eles ficam livres para fazer o que quiserem. Desde que seja em grupos. A escola acaba virando um grande clube ou vários pequenos clubes.

Mas tudo exige responsabilidade. “A partir de três faltas, a pessoa já não está mais no clube”, explica Natália de Oliveira, 15 anos.

Mais da metade da evasão escolar no Brasil acontece no ensino médio (57%); Mais de 1,5 milhão de alunos deixam os estudos. “A gente precisa ainda fazer um esforço importante pra garantir que esses estudantes estejam na escola e estejam na escola aprendendo”, destaca Ítalo Dutra, chefe de educação - Unicef Brasil.

Mas, na escola de Santo André, raramente alguém vai embora. “A diferença aqui é que tem comprometimento de todos. Na verdade, nós temos um foco: que no nosso caso é o sucesso do nosso aluno”, afirma Alessandra Vechier, professora de matemática.

Os pais acompanham tudo de perto. Desde que entram na escola, os alunos começam a pensar num projeto de vida. “Eles começaram em casa querendo ser bombeiro e chegam aqui querendo ser astronauta”, conta Cleide Dalla Torre, diretora da escola.

No fim do curso, um dossiê completo indica se as habilidades de cada aluno combinam com a carreira que ele quer seguir.

Vejam o que aconteceu com o Pedro:

Diretora: Ele quer fazer uma engenharia aeroespacial.

Mae do Pedro: O Pedro sempre teve aptidão para a área de exatas e os professores tem ajudado muito.

O jeito de ensinar nessa escola pública foi determinante para que Pedro saísse da escola particular onde estudava para fazer aqui o ensino médio.

“Fiquei sabendo do projeto, um ano antes de sair da escola privada vim, visitei a escola, vi como que era, conheci os professores e falei assim: acho que aqui é um ótimo começo para o meu futuro. Eu apostei no ensino público e acho que deu certo”, conta Pedro Henrique Manca.

“Nós temos que resolver a escola para todos. Porque isso que vai promover no Brasil uma igualdade de oportunidades que vai permitir também que o Brasil renda muito mais do que rende hoje”, destaca Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação.

O Ministério da Educação afirma que os estados vão receber R$1,5 bilhão para criar, até 2020, mais de 500 mil vagas para alunos em tempo integral. Também está prevista a implantação do novo ensino médio, depois da aprovação da base nacional comum curricular.

Fonte: Jornal Nacional / G1