É preciso preparar os jovens para o mundo das tecnologias e da inovação, diz Robson Braga de Andrade
17
Dom, Jun

É preciso preparar os jovens para o mundo das tecnologias e da inovação, diz Robson Braga de Andrade

É preciso preparar os jovens para o mundo das tecnologias e da inovação, diz Robson Braga de Andrade
Notícias EAD
TIPOGRAFIA

 

Robôs na produção, impressoras 3D, novos tipos de materiais, internet das coisas, manufatura digital, necessidade de reduzir o custo da energia e preocupações ambientais. Todos esses fatores têm transformado a indústria nos países desenvolvidos e começam a provocar mudanças no chão de fábrica no Brasil.

 

Robôs na produção, impressoras 3D, novos tipos de materiais, internet das coisas, manufatura digital, necessidade de reduzir o custo da energia e preocupações ambientais. Todos esses fatores têm transformado a indústria nos países desenvolvidos e começam a provocar mudanças no chão de fábrica no Brasil.

“Estamos caminhando para a indústria 4.0 . Em cinco anos teremos profissões que não existem hoje. Por isso, precisamos investir na educação voltada para o mundo do trabalho, para termos uma produtividade compatível com o que vai ser o futuro”, afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade. Ele participou da abertura do debate Diálogos: os caminhos para a educação do futuro nesta quinta-feira (11). O evento ocorreu durante a Olimpíada do Conhecimento, a maior competição de educação profissional da América Latina, em Brasília.

No Brasil apenas 11% dos jovens entre 15 e 17 anos fazem educação profissional com a educação regular. A média nos países desenvolvidos é acima de 50%. O setor privado avalia que a educação profissional pode alavancar a produtividade e o crescimento do Brasil. Embora a produtividade seja uma síntese de vários fatores, como padrão técnico da empresa, salários e dinâmica do mercado, há um consenso de que a produtividade tem ligação estreita com a educação regular e profissional.

Segundo o consultor do Centro Interamericano para o Desenvolvimento e Conhecimento em Formação Profissional da Organização Internacional do Trabalho (Cintefor/OIT), o uruguaio Fernando Vargas, a educação na América Latina não está dando os resultados que as indústrias precisam. Ele explica que o empregador tem dificuldades para encontrar os melhores recursos humanos , pois os mais qualificados estão em poucas empresas que tem alta produtividade e alta tecnologia. Como são poucos, os salários são elevados e as pequenas e médias empresas não conseguem contratá-los.

Vargas diz que a América Latina só terá aumento de produtividade se passar a reconhecer o papel das instituições de educação profissional. “É indispensável investir em educação profissional de qualidade e “desescolarizar” a educação profissional. Quando eu falo em “desescolarizar”, eu quero dizer que o ensino tem que ser na fábrica e não sala da aula. É preciso eliminar a falta de conexão entre educação regular e a educação profissional”, sustenta.

EDUCAÇÃO NO BRASIL – O presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, Simon Schwartzman, critica a premissa básica da educação brasileira tanto regular quando profissional. Ele diz que o sistema atual em que todas as crianças e todos os jovens precisam aprender de Filosofia a Física não funciona. “É um modelo obsoleto em que todos têm que ter uma educação clássica. Está na lei de Diretrizes de Base dos anos 1980. Todo mundo tem que saber tudo. E na educação técnica é a mesma coisa. Temos 40% da população que não concluem o Ensino Médio e dois terços que não vão para a educação superior. Acabam com uma educação precária e sem nenhuma qualificação profissional”, avalia.

Segundo ele, a educação fundamental tem melhorado, mas o ensino médio está muito pior do que há 15 anos. Ele afirma que se gasta três vezes mais do que no início dos anos 2000 para se ter o mesmo resultado e lembra que a qualidade da educação não está só associada a recursos, mas também a gestão, formação de professores, infraestrutura e instalações. Mas seu principal alvo é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que, diz, engessa o ensino médio, obriga o aluno a se preparar para uma maratona e é discriminatório.

“A probabilidade de conseguir 650 pontos depende de ser um instituto federal de ponta ou de uma escola particular e ter uma família com nível superior. Se o aluno não combina essas características, suas chances são próximas à zero. O Enem é um jogo de cartas marcadas“, diz Simon Schwartzman. Ele afirma que o Senai tem um papel muito importante em todo esse cenário, pois ao oferecer educação profissional de qualidade, dá opções aos jovens de ter uma profissão e se qualificar para o mundo do trabalho.

Fonte: Portal da Indústria