Recursos são liberados, mas burocracia dificulta retomada das atividades da EAD da UFSC
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Qui, Jul

Recursos são liberados, mas burocracia dificulta retomada das atividades da EAD da UFSC

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Apesar do repasse de dinheiro pelo governo, cursos estão tendo que administrar novas demandas, o que tem atrasado trabalhos.

Apesar do repasse de dinheiro pelo governo, cursos estão tendo que administrar novas demandas, o que tem atrasado trabalhos.

Burocracia trava normalidade das aulas em cursos de EaD na UFSC
Os repasses para os cursos Educação a Distância (EAD) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que chegaram a ser suspensos depois da Operação Ouvidos Moucos, que investigou desvio de recursos dessas atividades, mas embora o governo tenha enviado os pagamentos, os problemas continuaram e muitos alunos continuam descontentes. Agora, a burocracia impede os cursos de voltarem à rotina, como mostrou o Jornal do Almoço.

A UFSC está sem transporte para levar os professores de Florianópolis para assistirem à banca de trabalho de conclusão da graduação de administração, que precisa ser presencial, no polo do Sul do estado. Alunos no meio do curso também estão recebendo só uma parte do conteúdo de algumas disciplinas, porque faltam bolsistas para gravar os vídeos das aulas.

No início do ano, a então coordenadora do curso postou um vídeo no site da universidade atualizando as dificuldades de cada matéria. “Está sem professor e também sem as atividades e provas e etc”, disse Marilda Todescat. Ela mesma saiu da coordenação. “Não há ainda um coordenador pra nos substituir”, disse Marilda.

Nos últimos quatro anos e meio, os universitários Patrícia Zabot Lixa e André de Medeiros se esforçaram muito para realizar os trabalhos e atividades da graduação à distância de administração. "Eram duas provas por mês, então, eram dois livros que tu tinha que aprender mensalmente, foi bem cobrado esse curso”, relatou Patrícia.

A reta final da graduação curso exigiu ainda mais, por causa do trabalho de conclusão de curso (TCC) julgado por uma banca de professores. “É um período difícil, todo mundo passa trabalho para fazer um TCC. E depois de entregue veio a notícia de que iria ser adiada”, disse Patrícia.

“Nos enviaram um e-mail explicando a situação, dizendo que ela era até dramática”, relatou o estudante André de Medeiros Larroyd.

Os problemas não estão apenas no curso de Administração, mas atingem os 12 cursos de educação à distância da UFSC. Os cerca de 2,5 mil alunos espalhados por Santa Catarina não sabem ao certo o que vão encontrar quando abrem o computador para estudar.

Mudanças
O dinheiro para manter as aulas foi repassado. O governo federal transferiu pouco mais de R$ 1 milhão no final de fevereiro para a universidade. Foram mudados os modelos para contratar serviços e funcionários na educação à distância. Até o ano passado, fundações da UFSC cuidavam dessa parte e faziam licitações mais simples.

Depois, surgiram escândalos que envolveram a administração dos recursos que o governo federal enviava para manter estes cursos - e que resultaram na operação Ouvidos Moucos, deflagrada em setembro de 2017.

Com isso, houve a recomendação do governo federal para que a Secretaria de Ensino à Distância faça as contratações. A secretaria ainda não está dando conta dessa nova função burocrática, e por isso a vida dos estudantes está atrasando.

“É mais uma questão operacional de mudança de processos que nos pegou de surpresa e isso aí leva, digamos assim, uma licitação leva 90, 120 dias pra ser feita”, explicou o secretário de Educação à Distância Fernando Gauthier.

Possibilidades
O secretário informou que por enquanto só conseguiu usar R$ 50 mil do R$ 1 milhão que o governo mandou.

“Que é o que nós conseguimos via sistema do governo federal de diárias para alguns professores que foram aos polos, foram a formaturas. Já temos uma equipe trabalhando nisso e tentamos ver se mais um mês ou dois terminamos esses processos. Estamos tentando terminar em julho o primeiro semestre, mas algum curso já vai pra agosto, porque tem disciplinas de maior carga horária etc”, disse o secretário.

“Estamos todos vinculados e dependentes desse retorno de atividades”, disse André de Medeiros Larroyd. “E, por ora, não conseguimos concluir o nosso curso que seria o nosso tão almejado objetivo”, afirmou Jean Victor Rodrigues Espindola.

Fonte: G1 Santa Catarina