Ensino à distância tem crítica de piora da qualidade, mas deve reduzir evasão
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Ter, Dez

Ensino à distância tem crítica de piora da qualidade, mas deve reduzir evasão

Ensino à distância tem crítica de piora da qualidade, mas deve reduzir evasão
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Modelo homologado na semana passada pelo MEC pode começar a operação a partir de 2019 em Mato Grosso, se houver demanda.

Modelo homologado na semana passada pelo MEC pode começar a operação a partir de 2019 em Mato Grosso, se houver demanda.

A proposta do ensino à distância na rede pública é uma controvérsia que passa por dois pontos já em baixa em Mato Grosso. Os defensores afirmam que o novo modelo vai beneficiar os estudantes que têm a jornada dupla de estudo e trabalho, e os contrários dizem que a tendência é piorar a formação humana e integral, reduzindo o ensino à instrumentalização.

“É preciso levar em conta que se os estudantes não têm capacidade hoje de lidar com o assunto por si mesmo, por que teria se passasse a estudar sozinho, com a ida à escola somente para tirar as dúvidas e passar pela aplicação de provas?”, questiona a professora Jocilene Barbosa dos Santos, presidente do Sintep (Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público) em Mato Grosso.

A falta de otimismo para a proposta, homologada esta semana pelo MEC (Ministério da Educação), a avaliação negativa do quadro dos estudantes em Mato Grosso. O ensino médio, foco no novo à distância, é o gargalo da rede pública estadual, com lentidão e retrocessos no desenvolvimento educacional. Os estudantes que cursam o período – do 1º ao 3º anos – apresentaram resultados pífios nos últimas avaliações do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

Para a professora, esse quadro tende a piorar num modelo de ensino em que a presença do professor na formação ficará cada vez mais reduzida. Além disso, a socialização dos estudantes, considerada essencial na formação do ser humano, perderá seu âmbito.

“Qualquer estudo sobre a formação humana aponta que a interação entre pessoas é importante. Por meio da socialização que se debate assuntos das diferenças políticas, de religião e de gêneros”.

A fala da professora indica para discussão sobre a escola sem partido que deve uma das principais pautas do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Jornada dupla

O secretário-adjunto de política educacional, professor Edinaldo Gomes, afirma que os alunos que trabalham e estudam devem ser o principal beneficiados do ensino à distância. A flexibilização da grade pode ter efeito no número das desistências principalmente destes alunos, que reclamam de enfrentar uma carga de estudos após um dia de até 8 horas de trabalho.

“A maioria dos alunos que desistem da escola são aqueles que estudam à noite porque durante o dia precisam trabalhar. Com o ensino à distância, eles podem ter aulas numa semana menor ou ter uma carga diária reduzida. Essa decisão ficará a cargo de cada escolha”.

O segundo o professor, os alunos do ensino médio representam cerca de 30% dos mais de 100 mil matriculados no ensino fundamental em Mato Grosso neste ano. Boa parte deles são pessoas em idade escolar em defasagem.

“O ensino médio à distância será mais essencial no ensino regular noturno, onde temos um grande número de estudantes trabalhando e estudando. A oferta do ensino regular noturno teve queda de ao menos 40% nos últimos dez anos. Acreditamos que vai ter uma grande adesão desses alunos por terem hoje uma carga muito rígida”.

Implantação

O secretário-adjunto Edinaldo Gomes afirma Mato Grosso terá condições de oferta o ensino à distância a partir de 2019. A implantação, até 2020, será feita conforme a demanda de cada escola.

O MEC homologou as diretrizes para o ensino à distância na terça-feira (20). As escolas poderão ofertar a distância até 20% do ensino médio diurno, até 30% do ensino noturno e até 80% da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Há a exigência de respaldo tecnológico e pedagógico para ofertar a modelo.

“Os estados terão até 2020 para fazer discussões sobre o modelo, para saber como vai funcionar, mas as escolas que quiserem aderir já terão à disposição a partir do próximo ano. Temos feitos avaliações em Mato Grosso e acreditamos que será um modelo muito proveitoso”.

Ele diz que o início das ofertas ficará à disposição das secretarias e do conselho escolar, levando em conta a procura pelos alunos. O adjunto afirma ainda que não se tem por enquanto o projeto para a infraestrutura, as opções são acesso via plataforma digital e apostilas físicas.

“Acredito que os dois modelos podem ser implantados. Para os alunos com acesso à rede pode ser criada uma plataforma com login e senha, e para aqueles que não têm acesso – inclui-se os alunos da zona rural onde o sinal é fraco – trabalharmos com apostilas”.

A flexibilização da carga de atividades ficaria restrita ao quadro de horas ou dias da semana. Os alunos continuarão com a obrigação de comparecer às escolas para fazer provas e apresentar trabalhos.

Fonte: Circuito Mato Grosso