Saiba o que observar na hora de optar por uma formação pela modalidade EaD
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Sex, Abr

Saiba o que observar na hora de optar por uma formação pela modalidade EaD

Conselhos profissionais vetam alunos formados a distância
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Especialistas apontam que, além de observar se instituição de ensino tem reconhecimento por parte do Ministério da Educação, estudantes não devem abrir mão do critério qualidade.

Especialistas apontam que, além de observar se instituição de ensino tem reconhecimento por parte do Ministério da Educação, estudantes não devem abrir mão do critério qualidade.

A Educação a Distância (EaD) chegou para ficar no Ensino Superior brasileiro. É o que demonstra o mais recente Censo da Educação Superior, divulgado em setembro de 2018 com dados de 2017: EaD teve o maior salto desde 2008, crescendo 17,6% de 2016 para 2017. O número é um indicativo da repercussão que podem ter as medidas de conselhos profissionais excluindo esses egressos da prática profissionais.

Por isso mesmo, especialistas na área destacam a importância dos interessados nessa forma de Ensino Superior saberem separar o joio do trigo. O número de opções cresce, e assim como nas instituições de ensino presencial, uma avaliação cuidadosa deve anteceder a matrícula.

— O cidadão tem várias fontes de consultas para conferir a qualidade das instituição. Primeiro, o próprio Ministério da Educação, a instituição e o curso precisam estar credenciados. Os cursos são avaliados, recebem nota. E as boas instituições querem manter sua reputação. Aquela que oferece um curso presencial com boa reputação vai querer ter um na EaD ruim? — questiona o diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) Carlos Longo.

Para o professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Sérgio Franco, há cursos de baixa qualidade tanto presenciais quanto a distância. O fato de ser EaD, por si só, não diz se o curso tem ou não qualidade.

— Eu costumo dizer que a questão não é se o curso pode ser EaD, mas o que pode ser a distância em cada curso. Então, o aluno deve avaliar a carga horária presencial do curso e avaliar se ela faz sentido. Porque todos têm uma parte presencial, não existe curso superior 100% a distância — afirma o também coordenador do curso de Pedagogia da UFRGS.

O que fazer após veto de conselhos profissionais
Ambos afirmam que, apesar das restrições impostas por conselhos profissionais a egressos de cursos EaD, os alunos devem manter sua rotina normal. E quem está decidido a entrar na modalidade também não deveria adiar planos.

— Os conselhos terão de voltar atrás, a Justiça vai mandar eles fazerem isso. Outros já tentaram, foram derrotados e tiveram de recuar. Se o MEC valida o diploma, os conselhos têm de aceitar, não são eles que dizem se o curso vale ou não. Podem fazer como a OAB, um exame para todos os egressos, por que não? Mas para todos, não somente para os de EaD — diz Longo.

Na mesma linha vai o professor da UFRGS.

— Judicialmente essa medida dos conselhos não tem futuro. Acredito que o aluno não deva se guiar por essas medidas dos conselhos profissionais, mas pela qualidade dos cursos, devem escolher bem e avaliar a instituição, isso sim — afirma Franco

O caminho da escolha certa de EaD

Credenciamento
A primeira coisa é saber se a instituição e o curso estão credenciados pelo Ministério da Educação (MEC), há um site específico para isso. O credenciamento é exigido por lei e, sem ele, a instituição não tem permissão para oferecer nenhum tipo de curso superior. A Abed também oferece consulta em seu portal.

O estudante que ingressar em uma faculdade sem essa regularidade não obterá seu diploma, não poderá exercer a profissão ou se candidatar a qualquer concurso na área.

As primeiras turmas de um curso em uma instituição devidamente credenciada são sempre iniciadas antes do reconhecimento. O reconhecimento deve ser solicitado pela instituição quando a primeira turma cumprir entre 50% a 75% do tempo de duração do curso.
Infraestrutura

Pela lei, todo curso superior EaD precisa aplicar provas finais presenciais. Além disso, os cursos a distância têm carga presencial que varia conforme a opção, com atividades individuais ou em grupo.

Por isso, não deixe de se informar sobre a estrutura e a localização do polo mais próximo da instituição em questão. Avaliar a distância e o tempo de deslocamento devem ser considerados para evitar transtorno maior do que o benefício de ter aulas a distância.

Se possível, visite o local e observe as condições das salas de aula, dos equipamentos e de laboratórios e biblioteca. Conforme o curso, essas instalações podem fazer a diferença.

Estrutura docente
É importante conhecer corpo docente da instituição, veja se é qualificada e se corresponde a sua expectativas. No mesmo portal do MEC, é possível ver a nota de cada curso.

Também é importante ficar atento à metodologia de ensino, às tecnologias empregadas e aos materiais didáticos disponíveis. É importante saber como funciona e a disponibilidade dos tutores.

Compare a carga horária de cursos presenciais com a carga oferecida na modalidade a distância. Caso se ofereça muito menos tempo, procure mais detalhes sobre o curso e questione isso na instituição.

As redes sociais são ótima ferramenta para fazer contatos com alunos atuais e que já tenham concluído o curso. Confira qual a percepção que eles tiveram da experiência como um todo.

Suporte técnico
Questione a estrutura técnica oferecida pela instituição, o popular help desk, canal que serve para esclarecer dúvidas sobre o curso ou problemas de acesso às aulas. O serviço pode ser acessado pelo telefone, redes sociais ou pela própria plataforma.

Para acessar o conteúdo, assistir às aulas e realizar as atividades propostas, é necessário saber realizar tarefas simples no computador ou em outro dispositivo. Muitas faculdades EaD oferecem tutorial para aprender a acessar o sistema e navegar pelo ambiente virtual do curso.

Outros números
Em 2017, dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) revelaram que os estudantes de EaD chegaram a quase 1,8 milhão, 21,2% do total de matrículas em todo o Ensino Superior. E o número de cursos no país passou de 1.662 (2016) para 2.108 (2017), o que representou um aumento de 26,8%.

Fonte: Gauchzh