Aluno 'aprende' em casa e faz exercícios na aula; conheça a sala de aula invertida
18
Qua, Out

Aluno 'aprende' em casa e faz exercícios na aula; conheça a sala de aula invertida

Notícias EAD
TIPOGRAFIA

A sala de aula invertida (flipped classroom) é uma metodologia de ensino que inverte o processo de aprendizagem tradicional do aluno: a aquisição do conhecimento não acontece apenas em aulas expositivas na escola, mas também fora dela, com a ajuda de recursos tecnológicos. Antes da aula, o estudante pode ter contato com o conteúdo em casa.

A sala de aula invertida (flipped classroom) é uma metodologia de ensino que inverte o processo de aprendizagem tradicional do aluno: a aquisição do conhecimento não acontece apenas em aulas expositivas na escola, mas também fora dela, com a ajuda de recursos tecnológicos. Antes da aula, o estudante pode ter contato com o conteúdo em casa.

Assim, o tempo na escola é usado para aprofundar conceitos, tirar dúvidas e realizar exercícios e atividades práticas. Veja como você pode aproveitar algumas práticas desse conceito para aprimorar seus estudos.

Desde os anos 1990 pesquisadores estudam o método, mas foi em 2007 que o conceito se popularizou com os professores norte-americanos Aaron Sams e Jon Bergmann. Os dois começaram a gravar vídeos de suas aulas de química em PowerPoint, incluindo voz e animações e a disponibilizar o material na internet para os alunos que faltavam. As aulas ficaram populares no YouTube e eram acessadas por gente de todo os EUA. A partir daí, os professores começaram a participar de palestras e a disseminar o movimento do flipped learning.

1. O aluno lê o conteúdo teórico e assiste aos vídeos em casa ou na escola;
2. Os alunos explicam os conceitos em exercícios práticos e tem pronto feedbacks dos professores;
3. O aluno checa seu desempenho e pode fazer exercícios de reforço indicados pelo professor.

Vídeos, podcasts e blogs são alguns dos recursos que podem ser utilizados na sala de aula invertida. Com uma conexão à internet, o aluno pode acessá-los em computadores, tablets e celulares na escola ou em casa. O educador pode criar vídeo-aulas com programas de screencasts (softwares de captura de tela) ou selecionar vídeos e palestras da internet. A recomendação é que o vídeo seja focado em um único tema, com explicações curtas e objetivas, de 8 a 12 minutos. O vídeo também pode trazer perguntas-chaves para o aluno responder quando retornar à aula.

Na sala de aula invertida, o aluno se responsabiliza pelo seu próprio aprendizado. Como assim? Ao assistir vídeos, ele pode pausar e repetir o conteúdo de acordo com seu ritmo e compreensão. Os estudantes que aprenderam rapidamente os conceitos não perdem tempo com explicações do professor e podem fazer mais exercícios. Na sala de aula, os professores atendem os alunos de forma individual e em grupo, transformando a aula em uma conversa, mudando o layout tradicional das cadeiras enfileiradas. Os vídeos também ajudam quem precisou faltar e precisa de aulas de reposição.
 
A escola norte-americana Clintondale High School, em Michigan, foi uma das primeiras a adotar a sala de aula invertida. Desde 2009 os estudantes assistem às aulas de matemática, inglês, ciências e estudos sociais em casa e fazem o dever em classe. Cada professor grava vídeos de até 7 minutos com um software adquirido pela escola e disponibiliza o material no site da instituição. Além disso, cada disciplina tem um perfil no Google Groups para a troca de informações e discussões. Os resultados foram a redução dos índices de repetência e a melhoria geral nas notas em exames.

A escola também pode montar vídeo-aulas mais elaboradas, com testes ou atividades online que avaliam o que o aluno aprendeu com o vídeo. O retorno imediato ajuda a identificar pontos chaves e a esclarecer dúvidas iniciais. O conteúdo do vídeo pode ser complementado com material de reforço como apostilas, trechos de livros, filmes e outros recursos. Os arquivos podem ser compartilhados com toda a turma em programas como o Google Docs.

Em 2012, a Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos EUA, criou um projeto para estimular o ensino a distância. Uma das experiências de sucesso foram as vídeo-aulas de bioquímica, uma matéria optativa. Com mais tempo em classe, os alunos eram estimulados a resolver problemas e contavam com um tutor para realizar exercícios práticos. A porcentagem de alunos que compareceram às aulas aumentou de 30% para 80%. O departamento de informática da universidade também ajuda na criação de vídeo-aulas com quiz online. Na foto, estudantes de medicina durante uma aula
Na sala de aula invertida, as redes sociais não se limitam ao Facebook e ao compartilhamento de fotos. Estudantes podem usar ferramentas com chat, blogs da turma, sites wiki, pesquisas e projetos colaborativos que podem ser transformados em um site feito tanto pelo professor quanto pelos alunos.

O método da aula invertida já está bem difundido nos EUA. Na internet, existem várias fontes de vídeo-aulas gratuitas, como o site Khan Academy, com mais de 2.500 vídeos que são acessados por estudantes e professores; o YouTube EDU (http://www.youtube.com/channel/UCs_n045yHUiC-CR2s8AjIwg/edu), com vários vídeos em português; palestras do TED Talks e edX (https://www.edx.org/) e a iTunes University, (http://www.apple.com/br/education/itunes-u/), disponível para iPad.

Segundo uma pesquisa de 2012 feita pela organização Flipped Learning, que reúne professores que são adeptos da sala de aula invertida, ciências (46%) e matemática (32%) são as matérias mais adaptadas para esse método. Um dos motivos é que são matérias cujas demonstrações práticas são mais fáceis na sala de aula. Sendo assim, toda a parte teórica é feita em casa e com os materiais de apoio.

Não existe um modelo ideal ou único da metodologia. A escolha do formato depende de fatores como o acesso à tecnologia e o perfil dos alunos. Como a sala de aula invertida "libera" mais tempo, os exercícios em classe e os trabalhos práticos com o apoio direto do professor são fundamentais e têm a atenção individual a cada aluno. Durante a aula, além de exercícios, o professor também pode aumentar a experiência de aprendizado de formas criativas utilizando recursos como jogos, atividades artísticas, aplicativos do iPad e recursos multimídia como suporte

Fonte: Uol Educação / EAD Educação a Distância
Publicado em: 23/07/2015